Teste de Disgrafia: Como funciona o diagnóstico e quando fazer
Feb 02, 2026Teste de Disgrafia: como funciona a avaliação, quando fazê-la, quem a realiza e o que esperar. Guia completo para pais.
Seu filho escreve mal e você está se perguntando se vale a pena fazer um teste para disgrafia?
A avaliação é o primeiro passo para entender se as dificuldades de escrita estão ligadas a um Transtorno Específico de Aprendizagem (TEAp) ou a outras causas. Mas como funciona exatamente? Quando é o momento certo? E, principalmente: o que fazer depois do diagnóstico?
Neste guia você descobre tudo sobre o teste para disgrafia: como ele acontece, quem o realiza, quais instrumentos são utilizados e quais são os passos a seguir depois de obter o diagnóstico.
Muitos pais percebem que algo não vai bem quando a escrita do filho continua ilegível apesar dos esforços. A professora sinaliza dificuldades, as tarefas viram uma batalha, a criança se recusa a escrever.
Nesse ponto surge a pergunta: é apenas “caligrafia feia” ou há algo a mais?
O teste para disgrafia serve justamente para responder a essa pergunta. Uma avaliação profissional que distingue uma simples imaturidade gráfica de um verdadeiro Transtorno Específico de Aprendizagem.
📋 O que você vai encontrar neste guia:
O que é o teste para Disgrafia
O teste para disgrafia é uma avaliação profissional que serve para verificar se as dificuldades de escrita de uma criança podem ser atribuídas a um Transtorno Específico de Aprendizagem (TEAp).
Mas o que significa fazer um diagnóstico de disgrafia?
Significa submeter a criança a uma série de provas padronizadas que medem objetivamente a qualidade da sua escrita. Não se trata de uma opinião subjetiva (“escreve mal”), mas de uma avaliação científica que compara o desempenho da criança com o esperado para sua idade.
🔍 O teste para disgrafia avalia:
- Legibilidade: quão compreensível é o que ela escreve
- Velocidade: quanto tempo leva para escrever
- Fluidez do traço: quão “solto” e contínuo é o gesto gráfico
- Organização espacial: como ela usa o espaço na folha
- Qualidade do traço: pressão, tamanho, proporções das letras
Atenção:
O teste para disgrafia não mede inteligência.
Uma criança pode ser muito brilhante e ter uma disgrafia severa.
As duas coisas não estão relacionadas.
✓ O diagnóstico de disgrafia serve para:
- Dar um nome às dificuldades (e remover o rótulo de “preguiçoso” ou “desleixado”)
- Obter as adaptações escolares previstas por lei
- Entender em quais áreas intervir
- Construir um percurso personalizado
Quando fazer o teste para Disgrafia
Quando é o momento certo para fazer o teste para disgrafia?
O diagnóstico de disgrafia pode ser feito a partir do final do 2º ano do ensino fundamental, quando a criança tem cerca de 7-8 anos. Antes disso, a escrita ainda não está automatizada e as dificuldades podem estar ligadas à fase normal de aprendizagem.
No entanto, existem sinais precursores que podem aparecer já na idade pré-escolar e que merecem atenção:
👶 Sinais na idade pré-escolar (3-5 anos):
- Se aproxima das atividades gráficas com grande esforço
- Não respeita as margens ao colorir
- É desajeitado ao segurar lápis ou canetinha
- Fica inseguro na escolha da mão (direita/esquerda) para desenhar
- É impreciso em trabalhos de precisão (recortar, colar)
- Recusa atividades que exigem desenho ou pré-grafismo
📚 Sinais na idade escolar (6-10 anos):
- Escrita ilegível apesar de praticar
- Lentidão extrema ao escrever
- Fadiga física ao escrever (dor na mão)
- Postura inadequada e pegada rígida
- Grande diferença entre capacidade oral e escrita
- Recusa crescente de tarefas escritas
Se você reconhece esses sinais, não espere o final do 2º ano do ensino fundamental para se preocupar. Você já pode consultar um especialista para uma primeira orientação, mesmo que o diagnóstico formal venha mais adiante.
Importante:
Intervir cedo faz diferença.
Mesmo que o diagnóstico de disgrafia venha no 2º ano,
os sinais precoces permitem iniciar percursos de fortalecimento
que podem prevenir ou reduzir as dificuldades.
Quem realiza a avaliação
O diagnóstico de disgrafia não pode ser feito pelo pediatra ou pela professora. Ele exige uma equipe multidisciplinar de especialistas.
👩⚕️ Quem compõe a equipe para avaliação da disgrafia:
Neuropsiquiatra Infantil:
É o médico que coordena a avaliação. Coleta a anamnese (história da criança), conduz os testes cognitivos e formula o diagnóstico final. É o único que pode assinar a certificação TEAp válida para fins escolares.
Terapeuta de Neuro e Psicomotricidade da Idade Evolutiva (TNPEE):
Avalia os aspectos grafo-motores, coordenação, postura, pegada. É o especialista que observa “como” a criança escreve.
Fonoaudiólogo:
Avalia os aspectos linguísticos da escrita e pode intervir quando a disgrafia se associa a outros transtornos (disortografia, dislexia).
Psicólogo:
Avalia o perfil cognitivo, exclui outras causas das dificuldades, investiga possíveis componentes emocionais.
🏛️ Onde fazer a avaliação:
O diagnóstico deve ser feito por um centro autorizado a emitir certificações TEAp válidas para fins escolares. Pode ser:
- O Serviço de Neuropsiquiatria Infantil da ASL (gratuito, mas com filas de espera longas)
- Um centro privado credenciado pela Região
⚠️ Atenção:
Nem todos os centros privados podem emitir certificações válidas.
Verifique sempre se o centro é autorizado pela sua Região.
Você já tem o diagnóstico e não sabe o que fazer?
Agende uma consultoria gratuita para entender o próximo passo.
👉 Agende a consultoria gratuitaComo acontece o teste para Disgrafia
Como acontece, na prática, a avaliação para disgrafia? O percurso se divide em várias fases.
FASE 1 — Coleta de anamnese
O primeiro encontro é com o Neuropsiquiatra Infantil, que coleta todas as informações sobre a história da criança: desenvolvimento motor e linguístico, trajetória escolar, dificuldades apontadas por professores e pais, possível familiaridade com TEAp.
FASE 2 — Observação informal
Antes dos testes propriamente ditos, o especialista observa a criança em um contexto não estruturado: como ela segura o instrumento de escrita, que postura assume, como se comporta ao desenhar ou escrever livremente, quão fluido ou cansativo é o gesto.
FASE 3 — Aplicação de testes padronizados
A criança realiza os testes de disgrafia de fato. São provas com pontuações padronizadas que permitem uma comparação objetiva com valores normativos por idade.
FASE 4 — Avaliação cognitiva
Para excluir que as dificuldades sejam causadas por atraso cognitivo, aplica-se um teste de inteligência (normalmente o WISC). A disgrafia, como todos os TEAp, só é diagnosticada com inteligência dentro da faixa esperada.
FASE 5 — Devolutiva e diagnóstico
Ao final, a equipe devolve aos pais: o diagnóstico (presença ou ausência de disgrafia), o perfil funcional da criança (pontos fortes e fracos), orientações para a escola e para a intervenção.
Todo o percurso geralmente exige 2-4 encontros
distribuídos ao longo de algumas semanas.
Os testes utilizados: BHK, DGM-P e outros
Quais são os testes de disgrafia mais usados? Aqui estão os principais instrumentos de avaliação.
📋 Teste BHK (Escala Sintética para Avaliação da Escrita na Idade Evolutiva)
É o teste mais difundido para diagnóstico de disgrafia. Avalia a escrita por meio de 13 parâmetros que analisam: tamanho das letras, inclinação, espaço entre palavras, ligações entre letras, qualidade geral do traço.
A criança deve copiar um texto por 5 minutos. O resultado é comparado aos valores normativos por idade.
📝 Teste DGM-P (Avaliação das Dificuldades Grafo-Motoras e Posturais)
Este teste vai além da escrita e avalia também: postura durante a escrita, pegada do instrumento, tensão muscular, coordenação olho-mão.
É especialmente útil para entender as causas das dificuldades e orientar a intervenção.
📜 Escala de Ajuriaguerra
Outro instrumento clássico que avalia a disgrafia por meio da análise de: forma das letras, tamanho, inclinação, continuidade do traço, organização espacial.
📊 O que esses testes medem:
Em síntese, os testes para disgrafia avaliam três macroáreas:
- Fluidez e velocidade: quão “solto” é o gesto gráfico e quanto tempo exige
- Construção dos grafemas: como as letras são formadas e como se conectam entre si
- Organização espacial: como as letras se distribuem na linha e na folha
O resultado não é apenas “tem disgrafia sim/não”, mas um perfil detalhado
que mostra quais aspectos estão comprometidos e em que medida.
Teste de disgrafia online: funcionam?
Ao buscar “teste disgrafia online”, aparecem vários questionários gratuitos. Mas eles funcionam de verdade?
São questionários que os pais preenchem respondendo perguntas sobre as dificuldades do filho. Algumas plataformas também oferecem jogos interativos que avaliam habilidades relacionadas à escrita.
❌ Limitações dos testes de disgrafia online:
- Não observam a escrita real: um teste online não consegue ver como seu filho segura a caneta, que postura assume, quanta pressão faz no papel.
- Baseiam-se na percepção do pai/mãe: as respostas são subjetivas. Você pode subestimar ou superestimar as dificuldades.
- Não têm valor diagnóstico: nenhum teste online pode certificar disgrafia. Não é válido para a escola nem para obter o PDP.
- Não fornecem um perfil completo: não diferenciam entre disgrafia, disortografia ou outras dificuldades. Não identificam as causas.
✓ Quando podem ser úteis:
- Como primeira orientação para entender se vale aprofundar
- Para reunir observações para levar ao especialista
- Para monitorar ao longo do tempo alguns aspectos
Veredito:
Testes de disgrafia online podem ser um ponto de partida,
mas não substituem de forma alguma uma avaliação profissional.
A única maneira de obter um diagnóstico de disgrafia
é uma avaliação completa com uma equipe especializada.
Depois do diagnóstico: e agora?
Você fez o teste, o diagnóstico de disgrafia chegou. E agora?
Muitos pais param aqui: obtêm a certificação, levam para a escola, ativam o PDP. Fim.
Mas o diagnóstico é apenas o começo, não o fim do percurso.
📋 O que acontece logo após o diagnóstico:
1. Certificação TEAp
Você recebe um documento oficial que certifica a disgrafia. Esse documento tem validade para fins escolares.
2. Entrega à escola
Você leva a certificação para a escola. A escola tem obrigação de ativar um Plano Didático Personalizado (PDP).
3. PDP
O PDP prevê instrumentos compensatórios (computador, tempo adicional) e medidas dispensatórias (menos escrita exigida). São proteções importantes.
⚠️ Mas o PDP basta?
Não. O PDP é uma proteção, não uma solução.
Ele permite que seu filho seja avaliado pelo que sabe, e não por como escreve.
Mas não resolve a disgrafia. Não o torna autônomo. Não elimina o esforço.
Apenas com o PDP, seu filho sempre dependerá dos instrumentos compensatórios.
A pergunta que você deve se fazer não é “quais instrumentos compensatórios obter”, mas “como posso ajudar meu filho a se tornar autônomo”.
Dois enfoques possíveis:
Enfoque compensatório:
Contorna as dificuldades com ferramentas externas. A criança aprende a conviver com a disgrafia usando apoios tecnológicos. Funciona, mas cria dependência.
Enfoque resolutivo:
Trabalha as causas da disgrafia. Por meio de um método que respeita como o cérebro da criança funciona, as dificuldades diminuem na raiz. A criança se torna progressivamente autônoma.
O diagnóstico diz que seu filho tem disgrafia. Mas o que você faz com esse diagnóstico depende de você.
Quer conhecer o enfoque resolutivo?
Agende uma consultoria gratuita para entender como ajudar seu filho.
👉 Agende a consultoria gratuitaFAQ sobre o teste de disgrafia
Com que idade é possível fazer o teste para disgrafia?
O diagnóstico de disgrafia pode ser feito a partir do final do 2º ano do ensino fundamental, quando a criança tem cerca de 7-8 anos. Antes dessa idade, a escrita ainda não está automatizada e as dificuldades podem ser normais.
Quanto custa o teste de disgrafia?
Se for feito pela ASL, é gratuito, mas com filas de espera que podem passar de 6-12 meses. Em centros privados credenciados, o custo geralmente varia entre 200€ e 500€ para a avaliação completa.
Quanto tempo dura a avaliação para disgrafia?
O percurso diagnóstico geralmente exige 2-4 encontros distribuídos ao longo de algumas semanas. Cada encontro dura cerca de 1-2 horas.
O teste de disgrafia online é confiável?
Não. Testes online podem dar uma indicação geral, mas não têm valor diagnóstico. Somente uma avaliação profissional pode certificar disgrafia.
Quem pode diagnosticar disgrafia?
O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar que inclua pelo menos um Neuropsiquiatra Infantil. O centro deve ser autorizado a emitir certificações TEAp válidas.
O que acontece se o teste confirmar disgrafia?
Você recebe uma certificação TEAp para entregar à escola. A escola ativa um Plano Didático Personalizado (PDP) com instrumentos compensatórios e medidas dispensatórias. Mas a certificação é apenas o início: também é preciso um percurso para ajudar seu filho a superar as dificuldades.
A disgrafia aparece na ressonância magnética?
Não. A disgrafia não é diagnosticada por exames como ressonância ou tomografia. Ela é diagnosticada por testes específicos que avaliam a escrita e as habilidades grafo-motoras.
Conclusão — O teste é apenas o primeiro passo
Agora você sabe como funciona o teste para disgrafia: quando fazer, quem realiza, como acontece, quais instrumentos são usados.
O diagnóstico de disgrafia é importante. Ele dá nome às dificuldades do seu filho, remove o rótulo de “preguiçoso”, e abre caminho para as proteções escolares.
Mas o teste é apenas o primeiro passo.
O verdadeiro desafio começa depois: construir um percurso que não se limite a compensar as dificuldades, mas que ajude seu filho a superá-las.
Se você quer entender qual é o próximo passo para a situação específica do seu filho, agende uma consultoria gratuita. Juntos vamos avaliar o quadro completo e entender qual percurso pode levá-lo à autonomia.
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